Que nem limão

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

As cápsulas do tempo

Esses dias entrei nos meus blogs antigos pra procurar um texto que eu tenho a impressão de ter escrito em 2007, no ano da formatura. Lembro de ter escrito sobre como eu planejava que a minha vida seria depois que eu saísse da faculdade. É que essa é uma época do ano em que eu sempre me vejo imersa numa nostalgia e numa vontade doida de dizer pros alunos que se formam: calma, vai dar tudo certo.

Só não digo porque sei que seria mentira. E também porque não necessariamente sei o que significa dar certo. Esses tempos atrás ouvi que quem aconselha está ficando velho. Então, por mais que eu gostaria de ter boas palavras e dizer que eles vão arranjar logo o emprego dos sonhos e que vão continuar amigos, eu não tenho meios de dar essa garantia para ninguém. E nem pra mim, inclusive.

E deve ser por isso que eu fui atrás daquele post em que eu me imaginava no futuro, e colocava meus planos e sonhos na ponta do lápis, achando que a materialização na escrita poderia ser o bastante para que eles se materializassem na minha vida. Mas acontece que a vida não é uma check list. E acontece também que eu não achei o post, ou seja, que aquelas minhas palavras de 2007 se perderam (ou eu não soube buscá-las) e não serviram como uma cápsula do tempo.

Acho que uma das razões para eu escrever é não me esquecer. É guardar as coisas de um jeito que não se percam. Mas acaba que são tantos anos disso que eu me sinto como aquela velha que guarda as notícias do jornal para caso precise um dia. E mesmo que venha a precisar, não vai se lembrar onde guardou. Eu sou uma acumuladora de lembranças e talvez eu tenha medo de um dia perdê-las porque minha memória não funciona tão bem como o registro de cada palavrinha.

Só que nos últimos dois fins de semana, eu percebi que tem uma coisa que funciona melhor do que as palavras escritas. E melhor do que as lembranças guardadas naquela caixa empoeirada que eu tenho lá no sótão da casa da minha mãe. E o que funciona muito melhor são os encontros. Aqueles em que alguém conta uma história começando com "Lembra quando...?". E eventualmente você lembra e acrescenta alguns detalhes. Em outros momentos você esquece e ouve a sua história como se fosse a de outro (é porque é mesmo, apesar de ser difícil de ver).

No domingo passado eu encontrei duas amigas e a gente conversou sobre trabalho, sobre namoros, sobre casamentos e sobre quem a gente se tornou. E é tão feliz quando você senta com alguém e fala como se tivessem se visto ali, naquele outro dia, mas que aconteceu tanta coisa que precisa de uma hora ou duas para colocar em dia o papo. Não é que a gente ficou separada muito tempo, a vida é que se estica e vai tomando nosso tempo para gostar direito das pessoas. Mas aí você se lembra que se, há nove anos, vocês ficaram horas na fila do cinema para ver uma estreia de Harry Potter e não se entediaram com isso e ainda conseguem fazer isso hoje (embora agora dê para esperar e deixar pra ver o filme outro dia que não na estreia), então, fechou. O que você tem é parceria.

Eu tive um fim de semana que poderia ter acontecido em 2004. Mas aconteceu em 2014: "Faz 11 anos que a gente se conhece". Foram 11 anos que poderiam ter sido um. E que acabam sendo um momento especial sempre que você sente aquela saudade de quem você era mas ao mesmo tempo quer contar quem você é para aquelas pessoas que vão achar divertido descobrir isso e te contar quem elas se tornaram e quanto daquele seu velho amigo continua vivo. Pessoas que vão te devolver as tuas histórias velhas, e que vão dividir as novas histórias delas. E que vai ser normal, vai ser bonito.

E isso, amigos, é a verdadeira cápsula do tempo.

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